quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

BEM-VINDA DE VOLTA, ETIENE!


Etiene Medeiros, um dos maiores nomes da história da natação feminina no Brasil, está de volta às competições. Após mais de três anos longe do alto rendimento, a notícia de seu retorno agita o esporte nacional. Mas não se engane: isto não é apenas um comeback; é uma missão. Etiene Medeiros não está voltando às piscinas apenas por uma última chance de glória olímpica — ela está voltando porque acredita que o esporte que a formou precisa dela. O que leva uma campeã mundial a mergulhar novamente na rotina exaustiva de treinos? As razões revelam uma atleta movida por uma combinação única de ambição pessoal, perspectiva renovada e um profundo senso de responsabilidade com o futuro.


A mudança nas Olimpíadas foi o gatilho perfeito

A chance de ouro que a tirou de sua aposentadoria não declarada veio de uma mudança sísmica no programa olímpico. A partir dos Jogos de Los Angeles 2028, sua prova de maior domínio, os 50m costas, será finalmente disputada no maior palco do esporte mundial. Para Etiene, que se sagrou campeã mundial nesta mesma prova em 2017, a inclusão representa uma oportunidade irrecusável. A medalha que faltava em sua galeria agora está ao seu alcance. Além do nado costas, ela também mira os 50m livre, prova na qual foi finalista olímpica nos Jogos do Rio 2016, provando que seu retorno é focado e ferozmente competitivo.

Mas uma nova prova olímpica foi apenas a faísca. O combustível para este retorno vem de uma preocupação muito mais profunda: a própria saúde da natação brasileira.

Ela não voltou apenas por medalhas, mas por uma missão

O que move Etiene vai muito além de sua própria raia. Seu retorno é impulsionado por um olhar aguçado e preocupado sobre o estado da natação brasileira, que ela descreve como "um pouquinho desestruturada". O desempenho desolador do Brasil no Mundial de Esportes Aquáticos de 2025 — o pior em 20 anos, sem nenhuma medalha — apenas confirmou suas preocupações sobre a frágil transição de gerações.

É aqui que ela assume um novo papel: o de "atleta pivô". Um pivô é um fulcro, um ponto de apoio que pode alavancar todo um sistema para cima. Etiene se vê exatamente assim: uma referência experiente capaz de guiar, inspirar e ajudar a estruturar o desenvolvimento da nova safra de talentos.

Eu acredito que a natação teve uma mudança muito rápida durante cinco anos. Alguns saíram, outros ainda não chegaram ao nível que eram os anteriores. Então, essa transição também precisa de um apoio estrutural, um apoio técnico e de atletas. Não são necessariamente só os atletas para fazer essa mudança, acho que vem muito das instituições, das confederações, do próprio COB, de traçar um plano dessa mudança. E a natação parece que ficou um pouquinho desestruturada.

Seu desejo de ser uma "atleta pivô" não nasceu no vácuo. Foi forjado durante uma "pausa" que lhe deu uma nova e poderosa perspectiva sobre o esporte, vista de fora das piscinas de competição.

A "pausa" foi tudo, menos uma pausa do esporte

Etiene Medeiros nunca anunciou oficialmente sua aposentadoria, e seu período sabático foi uma imersão transformadora em outras facetas da vida e do esporte. Ela se tornou mãe de Kaleu, sua maior conquista pessoal, e viveu na Austrália, onde ganhou uma nova visão sobre a modalidade ao atuar como professora de natação — com seu próprio filho sendo um dos alunos.

Essa perspectiva externa se aprofundou em 2024, quando integrou a equipe de comunicação do Comitê Olímpico do Brasil (COB) nos Jogos de Paris. Ali, nos bastidores, ela não apenas analisou a competição, mas compartilhou sua "vivência dentro e fora do esporte, como mulher negra e mãe de primeira viagem", consolidando seu papel de liderança. Ao mesmo tempo, manteve-se ativa em seu projeto social, o Instituto Etiene Medeiros (IEM), reforçando seu compromisso com a base. Essa jornada multifacetada lhe deu um diagnóstico claro sobre as fragilidades do sistema — e a convicção de que ela poderia ser parte da solução.

O retorno a uma fórmula de sucesso comprovado

A decisão de voltar não foi impulsiva, mas um movimento estratégico e calculado. Etiene não está apenas retornando à água; ela está retornando à sua fórmula de sucesso. Sua escolha pelo Sesi-SP, clube que defendeu por uma década e onde viveu a fase mais vitoriosa de sua carreira, é seu antídoto pessoal para a falta de estrutura que identificou no cenário nacional.

O reencontro com o técnico Fernando Vanzella é a peça-chave dessa estratégia. A parceria de dez anos construiu uma relação de confiança inabalável, essencial para o alto rendimento. A volta de Etiene para um ambiente comprovadamente vitorioso é uma declaração: para consertar um sistema, comece aplicando os princípios que funcionam.

Trabalhamos juntos durante 10 anos, construindo uma relação que foi além do aspecto profissional e se transformou em uma grande amizade. Nesse novo momento de retomada, após um período especial em sua vida pessoal, fico especialmente motivado com a oportunidade de voltarmos a trabalhar juntos, agora com ainda mais maturidade, propósito e entusiasmo, focados na busca da excelência em nível mundial e em novas conquistas para a natação do Sesi-SP e do Brasil.

Conclusão: Um novo capítulo para Etiene e para a natação brasileira

O retorno de Etiene Medeiros é a rara convergência entre ambição pessoal e propósito coletivo. É a história de uma campeã que vê uma nova chance de brilhar, mas também de uma líder que se sente chamada a fortalecer seu esporte. A oportunidade olímpica em sua melhor prova, a missão de ser uma "atleta pivô", a perspectiva amadurecida pela maternidade e por novas experiências, e a decisão estratégica de voltar para uma estrutura de sucesso formam os pilares de um dos projetos mais significativos do esporte brasileiro atual. Sua volta não é apenas uma jornada pessoal, mas um evento com potencial para inspirar e redefinir o futuro da natação no país.

Será a volta de uma campeã experiente o impulso que a nova geração da natação brasileira precisa para brilhar em Los Angeles?

(texto criado com a ajuda de IA - informações de Best Swimming, Swim Channel, GE e Olimpíada Todo Dia - foto de Satiro Sodré/SSPress/CBDA)

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